Frases de Caio Fernando Abreu
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Vá para casa, desligue o telefone, não atenda a campainha, sente-se na sua poltrona preferida (…). Ponha o disco a tocar. E escute. Só isso. Relaxe, ouça. — Caio Fernando Abreu

Vá para casa, desligue o telefone, não atenda a campainha, sente-se na sua poltrona preferida (…). Ponha o disco a tocar. E escute. Só isso. Relaxe, ouça. — Caio Fernando Abreu

Claro  que  me  dá  um  puta  medo  de  estar  me transformando  numa criatura  intoxicada  de  palavras  escritas  — tenho  visões futuras onde me vejo fechado num lugar com as parede cobertas de livros, quem sabe gatos, um som e mais nada. Meu coração tá ferido de amar errado, você me entende?   — Caio Fernando Abreu

Claro  que  me  dá  um  puta  medo  de  estar  me transformando  numa criatura  intoxicada  de  palavras  escritas — tenho  visões futuras onde me vejo fechado num lugar com as parede cobertas de livros, quem sabe gatos, um som e mais nada. Meu coração tá ferido de amar errado, você me entende?    Caio Fernando Abreu

O dia parece tão cinzento que não resiste à tentação de escrever um poema. Bem curtinho, bem feliz. Entre lá e cá, girando e girando sem parar, feito louca. A Terra também não resiste. De puro gosto, fica ainda mais azul – você viu? – Caio Fernando Abreu

O dia parece tão cinzento que não resiste à tentação de escrever um poema. Bem curtinho, bem feliz. Entre lá e cá, girando e girando sem parar, feito louca. A Terra também não resiste. De puro gosto, fica ainda mais azul – você viu? – Caio Fernando Abreu

Nos misturamos confusos, sem nos olhar nos olhos. Evitamos nos encarar — por que sentimos vergonha ou piedade ou uma compreensão sangrenta do que somos e do que tudo é? —, mas, quando os olhos de um esbarram nos olhos do outro, são de criança assustada esses olhos. Cão batido, rabo entre as pernas. — Caio Fernando Abreu

Nos misturamos confusos, sem nos olhar nos olhos. Evitamos nos encarar — por que sentimos vergonha ou piedade ou uma compreensão sangrenta do que somos e do que tudo é? —, mas, quando os olhos de um esbarram nos olhos do outro, são de criança assustada esses olhos. Cão batido, rabo entre as pernas. — Caio Fernando Abreu

Tudo isso dói. Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque deve ser assim, e virá outro ciclo, depois. — Caio Fernando Abreu

Tudo isso dói. Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque deve ser assim, e virá outro ciclo, depois. — Caio Fernando Abreu

Me conta de ti. Não devemos-nos perder, somos tão poucos, meu amigo. Cuide de você, não sofra sem necessidade, me queira bem. Te quero bem. — Caio Fernando Abreu

Me conta de ti. Não devemos-nos perder, somos tão poucos, meu amigo. Cuide de você, não sofra sem necessidade, me queira bem. Te quero bem. — Caio Fernando Abreu

Você sabe, estou saindo de um momento muito escuro, então tenho procurado não deixar que as minhas dores pessoais — do meu ponto de vista: enormes — interfiram no meu viver objetivo. — Caio Fernando Abreu

Você sabe, estou saindo de um momento muito escuro, então tenho procurado não deixar que as minhas dores pessoais — do meu ponto de vista: enormes — interfiram no meu viver objetivo. — Caio Fernando Abreu

Claro, sonhos quebrados sempre doem. Mas talvez seja mais saudável contemplar os cacos e tentar compreender o quebra-cabeças do que comprar uma passagem para a Disneylândia. — Caio Fernando Abreu

Claro, sonhos quebrados sempre doem. Mas talvez seja mais saudável contemplar os cacos e tentar compreender o quebra-cabeças do que comprar uma passagem para a Disneylândia. — Caio Fernando Abreu

Daí, eu também ando muito triste. E sem entender quase nada. — Caio Fernando Abreu

Daí, eu também ando muito triste. E sem entender quase nada. — Caio Fernando Abreu

Penso então que a gente quase sempre dá nome às coisas para perder o medo delas. Não sei se conseguimos. — Caio Ferando Abreu

Penso então que a gente quase sempre dá nome às coisas para perder o medo delas. Não sei se conseguimos. — Caio Ferando Abreu

E fingindo limpar os óculos, enxugaria muito dissimuladamente – mas não tanto que eu não percebesse – outra daquelas furtivas lágrimas. — Caio Fernando Abreu

E fingindo limpar os óculos, enxugaria muito dissimuladamente – mas não tanto que eu não percebesse – outra daquelas furtivas lágrimas. — Caio Fernando Abreu

Cuidado, meu amigo, vai doer. Se você é daqueles que acham que a vida é um mar de rosas cor-de-rosa, mantenha distância. Ou vá ouvir a Xuxa. — Caio Fernando Abreu

Cuidado, meu amigo, vai doer. Se você é daqueles que acham que a vida é um mar de rosas cor-de-rosa, mantenha distância. Ou vá ouvir a Xuxa. — Caio Fernando Abreu

Mas o amor verdadeiro, se  é que existe, entre homens ou mulheres, onde fica? Numa gaveta fechada, tive vontade de dizer. Nas costas de um cartão postal, sob uma ponte no Sena: mélancolie. — Caio Fernando Abreu

Mas o amor verdadeiro, se  é que existe, entre homens ou mulheres, onde fica? Numa gaveta fechada, tive vontade de dizer. Nas costas de um cartão postal, sob uma ponte no Sena: mélancolie. — Caio Fernando Abreu

Imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos — acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um rio, macieiras carregadas, alguns plátanos e uma colina — ou coxilha, como se diz aqui no Sul — no horizonte), depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo — e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzente como se tivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?), roupas e enfeites (quem precisará de panos, contas ou cores na terra onde o ar será colorido e enfeitará nossos corpos?)— lá, eu digo, nós nos encontraremos entre centauros, sereias, unicórnios e duendes, e sem dizer nada, com um olhar verde (uma das minhas grandes frustrações sempre foi não ter olho verde — mas lá eu terei) eu direi o quanto gosto de vocês, e voaremos de tanta boniteza — combinado? — Caio Fernando Abreu

Imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos — acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um rio, macieiras carregadas, alguns plátanos e uma colina — ou coxilha, como se diz aqui no Sul — no horizonte), depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo — e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzente como se tivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?), roupas e enfeites (quem precisará de panos, contas ou cores na terra onde o ar será colorido e enfeitará nossos corpos?)— lá, eu digo, nós nos encontraremos entre centauros, sereias, unicórnios e duendes, e sem dizer nada, com um olhar verde (uma das minhas grandes frustrações sempre foi não ter olho verde — mas lá eu terei) eu direi o quanto gosto de vocês, e voaremos de tanta boniteza — combinado? — Caio Fernando Abreu

Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho (ou sapatão) que perdi nas escadarias. Não sinto mais impulsos amorosos. Posso sentir impulsos afetivos, ou eróticos — mas amorosos, sinceramente, há muito tempo. É estranho, e não me parece falso, mas ao contrário: normal. Era assim que deveria ter sido desde sempre. E não se trata de evitar a dor, é que esse tipo de dor é inútil, é burra, é apego à matéria. — Caio Fernando Abreu

Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho (ou sapatão) que perdi nas escadarias. Não sinto mais impulsos amorosos. Posso sentir impulsos afetivos, ou eróticos — mas amorosos, sinceramente, há muito tempo. É estranho, e não me parece falso, mas ao contrário: normal. Era assim que deveria ter sido desde sempre. E não se trata de evitar a dor, é que esse tipo de dor é inútil, é burra, é apego à matéria. — Caio Fernando Abreu